Farta de balanços bonitinhos por essa blogoesfera fora, aqui fica o meu. E garanto que há nele muita coisa literal.
30.12.09
2009
Farta de balanços bonitinhos por essa blogoesfera fora, aqui fica o meu. E garanto que há nele muita coisa literal.
"Encontramo-nos no Desejo"
... é isso mesmo, o desejo...
... focar, focar com uma nitidez compulsiva, maníaca, obsessiva, um objecto
mas eu vejo tudo desfocado, tudo parece uma miragem
e no que eu não acredito
não desejo
Percebes que estás perdido
Quanto mais andas, mais perdido estás
Decides voltar para trás
Procurar o sítio de onde vieste
Mas não consegues encontrar o caminho de volta
Voltas para trás, à procura do sítio onde ainda há pouco estavas
E já não o encontras
Cada passo de volta
É um passo para um sítio mais longe
29.12.09
28.12.09
País real ?
Beber café a escaldar.
Andar de manhã cedo no paredão.
Tomar banhos que não acabam.
Organizar ideias dentro do carro.
Um abraço do meu irmão.
Adormecer a ler.
Salamandras e cobertores.
Ser recebida em festa pelas minhas cadelas.
Os wraps de cogumelos e mozzarella do Go Natural.
Aquele sol que às vezes há no Inverno.
Arrumar a casa com a música em altos berros.
Ver fotografias de Timor e ter muitas saudades de tudo.
Ouvir histórias de família e escrevê-las.
Cozinhar para os outros.
Perceber que me enganei acerca de alguém. Para melhor.
Receber cartas.
23.12.09
22.12.09
Triagem
Não é uma coisa assim tão simples à primeira vista.
21.12.09
Manifesto
Não vou fumar ganzas no dito jantar pela mesma razão e, sobretudo, porque na segunda seguinte vou ter de trabalhar com essas pessoas e tem que haver assim um mínimo de credibilidade de parte a parte.
Não vou alinhar em carneiradas porque se há coisa que me chateia é o histerismo colectivo e a pressão para fazer parte do clube x ou y.
Não vou sair à noite tendo como único objectivo o dançar que nem uma doida para marcar pontos e levar um gajo para casa comigo.
Se isso implica ser antipática, anti-social, preconceituosa, antiquada e chata, seja. Temos pena.
Aprecio muito a minha companhia, gosto demasiado de mim e de quem sou para embarcar neste tipo de merdas.
18.12.09
Precisely
O estado de “sozinho” pode gerar um misto de encantamento e embriaguez .
Falo do estado de “sozinho, mesmo sozinho”.
Não me refiro ao estado “sozinho com pontas soltas”. Com coisas por resolver, que vão e vêm. Isso não é estar sozinho. É a pior coisa que há. Essas pontas dão-nos muito trabalho, a tentar atá-las ou desatá-las. Por ali nos consumimos, sem glória nem proveito duradouro. Ficamos focados na ponta e desfocados do que nos rodeia. Perdemos o bom que circula à nossa volta.
Acho que há cinco anos que não estava sozinho, mesmo sozinho.
Tudo começa com uma decisão racional. E com um grito dado a nós mesmos. “Haja dignidade, pá !”, por exemplo. Dignidade para não magoar mais quem gostamos muito, mas não o suficiente. Ou dignidade para nos recusarmos a ser mais magoados por quem não gosta o suficiente de nós.
Ou então, se for esse o caso, berramos “esta gaja é uma pulha. Não lhe vou perdoar mesmo”. Inscrevemos no nosso cérebro esse mal todo e com ele vacinamos o coração.
Inicialmente custa estar sozinho, mesmo sozinho.
Mas depois, aos poucos, vamos começando a saborear-nos. Há quanto tempo não nos saboreávamos, é a pergunta que surge à nossa frente.
Deixamos de ter “dates”. Começa a ser natural chegar sexta à noite sem nada combinado. Ou sem a pressão de combinar algo. Para marcar espaço.
De súbito, tudo se torna simples. Os amigos deixam de dizer “podes trazer alguém” e dizem apenas “vem”.
Começamos a sentir um imenso poder. O poder de saber que não dependemos de ninguém.
Começamos a ver a beleza à nossa volta. O nosso humor torna-se mais acutilante. Deixamo-nos de merdas. Sentimo-nos disponíveis para o que de novo aí vier. Deixamos de depender do passado. Deixamos de estar à espera e passamos a ter esperança a sério.
Podemos vestir sem receios aqueles boxer anti-sexy, mas tão confortáveis, sem receio de que não possamos estar à altura das circunstâncias, porque sabemos que não vai haver circunstâncias dessas.
Nesta quadra de presentes, o sozinho, mesmo sozinho foi o melhor que pude oferecer a mim mesmo. E sorrio, porque amanhã à noite terei a sorte de estar a admirar as iluminações de Natal nos Champs Elysées. Como o ano passado. Como em todos os últimos anos.
Surripiado ao blog Conto de Fuga

