9.2.10

Que não se aguenta, este trânsito. Duas horas na auto-estrada. E ainda pagamos a esses filhos da mãe para ligarem o país de ponta a ponta. Pára-arranca-arranca-pára. E o preço do gasóleo é ridículo. Já para não falar do dinheiro que a Emel nos chula todos os dias, para os sacanas dos administradores andarem montados em topos de gama, de rabinho tremido pela cidade.

Com conversas matinais destas, posso eu bem. Meus amores, não me lixem. Venho todos os dias de comboio e ainda apanho, feliz e contente, o belo do autocarro para chegar ao trabalho. E então? Tenho um bocado a menos? Cheiro mal? Pareço infeliz? Não. Demoro 45 minutos, não me chateio, ponho a leitura em dia e ganho qualidade de vida.
Repitam comigo: transportes públicos. Vá, mais uma vez: transportes públicos. Não custa e não dói.

8.2.10



Valentins do passado


(...) Com o passar do tempo, vão aparecendo mais bonecas russas nas tuas camadas. Bonecas que não são imutáveis. Algumas eu vejo com mais nitidez, outras com menos, outras preferes não mas revelar.
Quem eu vejo é uma mulher a 200%. Que sempre viveu assim. És impulsiva, tens mau-feitio, és senhora do teu nariz, gostas das coisas boas da vida e de viver cada dia ao máximo, irritas-te com o teu corpo por não te deixar fazer tudo o que queres, exigente, exigente, exigente, és louca, ris-te que nem uma perdida, comoves-te (...) Tens raiva. Tens carinho. Tens apego à tua história, às tuas raízes. Queres criar novas raízes e não sabes bem como. Sentes-te sem um modelo, és menina-mulher. Brincas. Dormes. Não consegues meter-te a fazer alguma coisa e não a fazer bem. Às vezes tens a testa franzida, às vezes não (...) Tens um sorriso de me apaixonar cada vez que o vejo, tens mais músculos na cara do que bonecas russas. Tens aquela coisa que fazes com o nariz que me faz rebolar a rir. Fazes-me rir. Fazes de mim melhor todos os dias. Tens ideias. Queres voar. Queres saber quem és. Tens sono. És professora. Queres dormir (...) Tens coisas dentro das cabeças das tuas bonecas russas que queres resolver. Não tenho dúvidas de que o farás. Tens saudades de ti, tens saudades do passado, tens saudades do futuro.
Vais ter paz.

Porque "um cliché fica totalmente diferente quando é o nosso cliché."

Está a circular pelo YouTube um vídeo da cábula de Sarah Palin, mãe exemplar, mulher-fenómeno da política americana e revelação da revista Caça & Pesca de 2008. Não por esta ordem.
Este tipo de gaffe, não querendo tomar partido, é bem capaz de ser uma coisa do partido. Alguém se lembra do episódio em que, numa reunião das Nações Unidas, o caríssimo GW escreveu uma singela nota a Condoleeza Rice (Condi para os amigos), a pedir licença para ir à casinha?

5.2.10


Hoje, à hora de almoço, na sala comum, havia três coisas em cima da mesa para ler: o DN, o novo livro do Pedro Passos Coelho e um catálogo do Dmail.

Acho que não é difícil adivinhar em qual delas peguei.

3.2.10

Apetece-me lambê-lo e enchê-lo de beijos.

John Fante (1909-1983)

Ask the dust


Não conhecia John Fante, mas o livreiro disse-me que era uma aposta segura. Sou muito curiosa e interesso-me por várias coisas ao mesmo tempo o que, em relação aos livros, traduz-se na confusão generalizada de ter um para ler no comboio, outro à cabeceira, outro na sala para as horas mortas e mais um no trabalho, não vá estar um rico dia para ir almoçar ao jardim. Comprar este significava dizer bye bye a algum que me andasse a aborrecer. Fácil: Richard Zimler, Os Anagramas de Varsóvia (fogo meu, o Cabalista até que foi bem e os contos do Confundir a Cidade com o Mar marcharam que foi uma beleza em escalas de aeroporto, mas este, mesmo na recta final, topa-se à distância que não estavas inspirado, oh Richard, e querias era despachar a historieta, bora lá acabar com os chatos dos judeus, mais a porra dos guetos). In with Fante e não o larguei mais. Foram dois dias completamente absorvida por uma escrita despretensiosa, rápida e segura, from the gut, cheia de nervo. Los Angeles é uma cidade a meio da Grande Depressão que sufoca o italiano e escritor wannabe Arturo Bandini. Sexual e socialmente frustrado, vive num hotel pejado de outros tantos outsiders, alimentando-se quase exclusivamente de laranjas e mantendo uma relação de amor-ódio com uma empregada de mesa mexicana, viciada em marijuana. Dito assim, quase parece uma fotonovela, mas todo o carácter ridículo da personagem principal, a forma credível como algumas situações inesperadas aparecem a meio da narrativa e o tratamento dos estereótipos raciais, valem bem ter seguido o conselho na livraria.
Tenho p'ra mim que mais livros deste senhor vão morar lá em casa. Uma vénia a John Fante, se faz favor.

2.2.10

Asneira a património nacional, já!


Foda-se, caralho, finalmente uma puta de uma boa notícia. Na sexta, copos pa todo o mundo em jeito de celebração.

Em conversas com amigos ou às vezes no trabalho, vem à baila a música: o que andas a ouvir, olha estes que prometem, vou ao concerto tal, etc, etc.
Adoro música e não imagino os meus dias sem ela. Os meus avós, aí plos meus 6 anos, obrigaram-me a ter aulas de solfejo numa banda lá da terrinha, com o nome pomposo de Sociedade Recreativa e Musical. Primeiro estranhei, depois entranhei, tanto assim que só vim embora quando comecei a faculdade. Passado o Freitas Gazul, tentei a bateria, o trombone e o trompete, mas ditou o sexismo que instrumentos desses não eram para meninas e acabei por ficar com uma bela requinta (sim, requinta. Googlem).
Uns anos depois pedi um walkman à entidade parental e com ele chegaram uns extras maravilhosos: cassettes BASF cheias de Chico Buarque, Elis Regina, Maria Bethânia (ó Abelha Rainha faz de mim um instrumento de teu prazerrrrrrrr), Caetano Veloso, Edu Lobo, Jorge Ben Jor, Edu Lobo, Rita Lee. Os brasileiros entraram neste meu coração e de lá nunca mais saíram até hoje. Acontece que toda esta misturada, mais o rádio do avô sempre a tocar canções francesas na banca da cozinha, mudou mesmo a minha educação musical. É por isso, amigos e amores, que quando me vêm falar, arrepiados até aos dedinhos dos pés, de Cure e Smiths e Nirvana e Smashing Pumpkins, faço aquele ar de não me aquenta, nem arrefenta. Conheço, sim e sei que devo estar p'raqui a dizer um grande sacrilégio. Mas fazer o quê? De pequenino se torce o ouvido e o meu há muito que fugiu, de armas e bagagens, com os cariocas.

1.2.10

Faltam p'ra lá de 3927 dias para as minhas férias


ou

?

Hmmmm...

Às mulheres é cock tease


Que nome se dá a um fulano que provoca, provoca, não larga da mão, mas chegada a hora do ou-sim-ou-sopas, inventa sempre uma desculpa para dizer não?*

*(eu faço umas rimas que é uma coisa...)

Dos amigos


Não são muitos, é certo. Mas são os meus. Sei que posso contar sempre com eles: para copos, jantaradas, concertos, idas ao teatro em que acabamos quase todos a dormir no camarote ou, nas fases de baba e ranho, telefonemas de desabafo às tantas da matina.
Mesmo não sendo cola, gosto de saber que estão bem. E aprecio, claro, o contrário. A amizade faz-se da reciprocidade e há sempre um bocadinho de cobrança, mesmo que a gente faça as coisas cá do fundo do coração.

Ora, o que me chateia mesmo em ti não é a falta de resposta pontual a um telefonema ou mensagem, mas aquela que é constante, declarada e que tenho insistido em não querer ver.
No amor e no sexo, quando o outro lado não está lá, pode haver prazer solitário. Na amizade não há espaço para masturbações, lamento.
Algum dia tinha de abrir os olhinhos, não é?

Coisas que deviam ser proibidas na rádio


Bossa Nova cantada em inglês.
Paulo Gonzo. Em qualquer língua.