31.3.10
30.3.10
29.3.10
28.3.10
COCHE REAL, O DEGELO
mais tolerante, indiferente, menos
exigente, talvez
passei a sentar-me na Bijou do Calhariz
(outra moldura, os mesmos eléctricos)
no silêncio polar do urso a quem vão
descongelando aos poucos o último glaciar
da terra
outros, cuja paciência está
há muito esgotada, foram indignar-se
incrédulos
para lugar nenhum
- o último lugar -
vou ficando por aqui no Calhariz
a esta mesa
marcando encontros a que respondes
com uma incompleta comparência.
mais tolerante, indiferente, menos
exigente, talvez
passei a sentar-me na Bijou do Calhariz
(outra moldura, os mesmos eléctricos)
no silêncio polar do urso a quem vão
descongelando aos poucos o último glaciar
da terra
outros, cuja paciência está
há muito esgotada, foram indignar-se
incrédulos
para lugar nenhum
- o último lugar -
vou ficando por aqui no Calhariz
a esta mesa
marcando encontros a que respondes
com uma incompleta comparência.
Miguel-Manso, Santo Subito, ed. de autor, 2010
PEDRAS I
Tenho-te dito tanto:
tens umas pedrinhas verdes nos olhos
Se fosses mais nova - por exemplo quase criança
convidava-te a vires a minha casa
Procurava impressionar-te:
dir-te-ia que vim de França
mostrava-te as minhas pequenas grandezas.
A minha colecção de coisas e factos que
aqui e ali
me têm distinguido ou dado alento.
Tenho-te dito tanto das tuas pedrinhas que nem tento
Vou aprender a espera
com os bichos que suspendem a pressa
(o vagar do lagarto, pode ser)
E esperar o dia em que ergas a casa comigo
João Habitualmente, Os Animais Antigos, objecto cardíaco, 2006
O Porto está bem de saúde livreira e recomenda-se. Trouxe muitas coisas boas de lá (que é como quem diz: vou viver a pão e água o resto do mês, mas tudo bem...) e partilho aqui algumas convosco:
- Uns quantos números da revista de poesia cràse
- Outros tantos da revista de poesia Brilho no Escuro
- Mais poemas de Miguel Manso
- Não contente com a overdose de versos, ainda resgatei de uma estante Os Animais Antigos, de João Habitualmente.
Vemo-nos daqui um mês, sim? Tenho leituras em atraso.
- Uns quantos números da revista de poesia cràse
- Outros tantos da revista de poesia Brilho no Escuro
- Mais poemas de Miguel Manso
- Não contente com a overdose de versos, ainda resgatei de uma estante Os Animais Antigos, de João Habitualmente.
Vemo-nos daqui um mês, sim? Tenho leituras em atraso.
25.3.10
Tom Waits|You Can Never Hold Back Spring
Estar sempre, sempre lá para a prima neste período tão difícil. Falar com a Ros e perceber que rir com ela talvez a ajude a enfrentar as coisas com outro ânimo. Sair com a S. e escutá-la. Ver as fotos do filho do Gimbras e pasmar: como é que ele pôde fazer um Gonças tão lindo? Teatrar com a Gaby, o Pê e o Gil e perceber que estamos a ficar velhos (já passaram 14 anos, bolas!). Jantar com a Marise e, de alguma maneira, celebrar esta boa fase da vida dela, nem que seja a jogar Pictionary às não sei quantas da manhã. Receber no aeroporto o doido do Paulo e lembrar as parvoíces que fizemos em Baucau.
O melhor que tenho para dar aos meus amigos é mesmo isto: tempo.
O melhor que tenho para dar aos meus amigos é mesmo isto: tempo.
23.3.10
Do fim-de-semana
1. A história contada, num jantar de amigos, de um casal com vários anos de casamento. A mulher descobre que há muito que ele dividia a cama com prostitutas e confronta-o. Ele? Pega no carro e atira-se ao mar. O corpo aparece um mês depois, a boiar ali para os lados de Espanha. Ela? Toma um banho de duas horas e no dia seguinte vai fazer testes ao VIH.
Pelo meio há um filho e uma família incrédulos.
2. Andei a distribuir poemas no Jardim Botânico (dia mundial da poesia, sol maravilhoso e música como pano de fundo). A reacção das pessoas à minha pergunta desarma-me. Posso dar-lhe um poema de amor? Uma velhota, vestida com a melhor roupa de domingo, malinha triste nos joelhos, olha-me: Menina, é mesmo disso que preciso, de amor. Já tive, já tive.
No banco ao lado, um casal de namorados beija-se e abraça-se.
O universo não pára de me mandar sinais. Resta-me perceber de quê.
19.3.10
Meio-dia e pouco e dou um salto ao centro para fazer umas compritas aqui: coisas boas e cheirosas para os meus banhos prolongados. Love it. Apanho o 727 de volta e assim que me sento, desato a abrir os frascos e a experimentar tudo. Misturam-se e acentuam-se, com o calor da hora, os cheiros do côco e da baunilha. O rapaz do banco da frente ri-se. Cheira bem. Sinto-me triste e com o coração a doer, sim, mas devolvo o sorriso e junto uma piscadela de olho. Pois cheiro.
A Primavera está aí e tenho andado a perder muito do que se passa à minha volta.
Tempo e pequenos passos. Hão-de levar-me a algum lado, acredito.
A Primavera está aí e tenho andado a perder muito do que se passa à minha volta.
Tempo e pequenos passos. Hão-de levar-me a algum lado, acredito.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



