23.3.11

É tão parvo

o Tolan, jeese. Empresto-lhe os livros, perde-os e ainda sou enxovalhada porque gosto de um escritor para gajos e algumas mulheres com problemas graves

Em calhando, é melhor ir ver dos meus níveis de testosterona e destes pêlos esquisitos que me crescem nos dedos dos pés.

22.3.11

 Stevie Wonder | To know you is to love you

Passou há umas noites no Maria Caxuxa. A maluquinha que se pôs aos pulos e foi agradecer ao gajo do som? Oui, moi même.

20.3.11

Tenho a vida um bocado de pantanas. Estar between jobs é aquela cena bonita de se dizer, só que a foda é saber gerir isso e eu sou gaja de letras, logo, percebo zero de gestão. Só isso explica esta má relação com os fusos horários. Acordar às 6h30 de sábado, ir dar o corpinho ao manifesto que ele fez-se foi para trabalhar, vir para casa e em pose de dona de casa, sacode tapete, lava roupa e a seguir enfiar-me na banheira que eu mereço ir beber uns copos e dançar. O esquentador avaria, mas a porra do Universo bem pode mandar as mensagens que quiser que a água gelada enrijece, um, dois, três, deixa de ser maricas. O Viking ao rubro, metem Pulp e a noite fica perfeita, vem o strip das três com saltos de agulha e a noite fica surreal. O cabelo a colar ao pescoço, a roupa a colar à pele de suor, o resto da imperial desaparece rua acima. Vai-se ao pão quente de mãos dadas e  a química é uma coisa que não se explica. Falamos a mesma linguagem dos beijos. Racionalidade às urtigas, o dia ainda não acabou, mesmo que o relógio já dite as sete e meia de domingo, 20 de Março. 
E agora estou aqui de pantanas, raios. Quando não se gosta genuinamente de ninguém durante um par de anos há coisas que deixam de ser intuitivas. Pisar outra vez este campo de batalha, só mesmo de peito aberto e com uma valente dose de estupidez natural. Cruzar os dedos, deixar de ser maricas que dois banhos gelados no mesmo fim-de-semana já era lei de Murphy a mais e arriscar. Tenho a porcaria do almoço para fazer, odeio que o telemóvel não toque e percebo zero de gestão. Afinal, o maldito coração também sofre de jet lag.

9.3.11



Raymond Carver, © Bob Adelman
Uma das gavetas da cómoda está aberta e vou fechá-la. No canto interior da gaveta vejo o bridão que ele trazia na mão quando chegou. Devem ter-se esquecido, por causa da pressa. Mas talvez não seja isso. Talvez o homem o tenha deixado para trás de propósito.
- Bridão - digo. Ergo-o à altura da janela e observo-o à luz do dia. Não é nada de especial, apenas um velho bridão em cabedal escuro. Não sei grande coisa sobre bridões. Mas sei que uma parte é para enfiar na boca. A essa parte chama-se freio. É feito de aço. As rédeas passam por cima da cabeça e vão até ao pescoço do cavalo, onde são agarradas pelos dedos do cavaleiro. O cavaleiro puxa as rédeas para um lado ou para o outro, e o cavalo vira. É simples. O freio é pesado e frio. Se tivéssemos de usar esta coisa nos dentes, presumo que aprenderíamos num instante. Quando sentíssemos o puxão saberíamos que estava na altura. Saberíamos que estávamos a caminho de algum lado.

Raymond Carver, "O Bridão" in Catedral,  Quetzal, 2010.

Até explicava

mas acho que dá para perceber. E sim, implementei um sistema de senhas.

Penelope and the Suitors, John William Waterhouse

Nunca fui boa a costurar

quanto mais a esperar, de arzinho pungente e combalido.


Penelope waiting for Ulysses, Rudolph von Deutsch

6.3.11

Bolaño, Camus, Borges, García Márquez, Bukowski, McEwan, Kafka








Vou estar ocupadíssima a pôr as minhas leituras em dia.

4.3.11

Os vizinhos: uma análise

R/c direito: a qualquer momento os pulmões vão saltar-lhe da boca e aterrar aos meus pés, enquanto espero plo elevador, juro. Xarope pa tosse, ever heard?

5º direito: giro nas horas, loiro e de olhos claros. Administrador do condomínio, casado com uma monga, têm um filho. Simpático. Deve ser um chato na cama Como está a vizinha hoje? Jeese, já ninguém fala assim.

6º esquerdo: ódio de estimação pessoal desde que aqui cheguei. Puta da velha pendura-se à janela para dar pão aos pombos e às gaivotas, hein? Sinto-me sempre numa cena suburbana do "Psycho". Mas com mais cocó nas janelas.

7º esquerdo: surdo que nem uma porta, grita ao telefone. Deve ter acções na bolsa ou coisa que o valha VENDE O MILHO, DEIXA O TRIGO.

7º direito: são ucranianos e achavam que eu também era, derivado de ser a modos que alta e russa e assim. Convidaram-me para um churrasco há uns tempos. Na. Varanda. Tive uma coisa de última hora e não deu pa ir, mas foi tão bom ficar com a roupa do estendal a cheirar a acendalhas Kohleanzunder (Lidl, 1.49€).

Ainda há o par de jarras que se veste de igual aos fins-de-semana - calça de ganga, pólo da mesma cor e téni branco. Chernobyl para sempre: porque é importante continuarmos a limpar os reservatórios de água.

Voltar à fase maníaca

Parece-me bem. 

Entra um gajo no comboio, de gabardine verde e chapéu com penas. Fecha a porta da carruagem duas vezes. Passa as mãos na borracha do vidro duas vezes. Dá duas voltas a cada um dos dois postes. Espeta dois murros no caixote do lixo e empurra os jornais do chão com o bico dos sapatos. Vai de uma ponta à outra num berreiro e depois a gatinha fez assim renhauuuuuuuuu a gatinha fez renhauuuuuuuuu e eu é que sou maluco a gatinha fez renhauuuuuuuuuuuu. E senta-se.

Voltar à fase maníaca parece-me uma óptima ideia mesmo.

Sosseguem, pessoas de fino gosto

Não cortei os pulsos com uma colher ferrugenta, embora me apetecesse. Ando só a tratar da vidinha e digamos que a blogocena, mesmo proporcionado aumentos ao metro quadrado do ego de tanta alma singular e momentos de masturbação mental aos que conhecem Proust e Sartre de trás pa frente Sou bígamo, adoro o Marcel e o Jean-Paul, não paga as contas no fim do mês.

22.2.11

Não

me sinto com pica pa escrever, tenho fome, consigo dormir, quero vir trabalhar, cozinho há uns largos dias, tou com paciência pa ler, nem pa falar ao telefone, nem pa fazer conversinha de circunstância.

16.2.11

Haikai do líder

Por uma chefia
Com tintins no sítio
Muito queria

Soneto ao trabalho

Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda

Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda

Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda

Quero que isto expluda
Quero que isto expluda
Quero que isto expluda