1.7.11

Sangue

O que é que nos faz tão diferentes? Não é o seres morenaço e de olhos castanhos e eu a eterna russa de mau pêlo com pinta de estranja. Ainda ontem em Alfama me convidaram to eat typical Portuguese food. Obrigada, mas vou ali comer umas pataniscas. E pisquei-te o olho.

Em puto, se pudesses, comias musse de chocolate e batatas fritas a toda a hora. Adoravas pendurar-te no tractor com o avô e o único brinquedo que nunca espatifaste, para ver como era por dentro, foi aquela espada de madeira do Zorro
Quando o pai morreu, criou-se um pacto de protecção à tua volta. Como se não pudesses saber do que tinha acontecido - foi isso que nos separou. Porque eu sabia. E não só sabia, como passei a tratar da dor dos outros para que a esquecessem.

Crescemos.

A minha ida para fora nunca a percebeste bem. Não havia um sítio ainda mais longe que Timor? Bolas. Do regresso nem falo, a factura paguei-a cara e fiquei sempre naquela de ser a ingrata, a desbocada, a impulsiva, a única irmã do planeta que vai a Amesterdão e me traz prendas duma sex shop. Tu, o ponderado e sábio mano mais velho, mesmo tendo nascido cinco anos depois de mim.

Há uns tempos tivemos uma discussão monstra, lembras-te? Fiquei de estômago virado por te ter chamado cobarde. És sempre o gajo que não toma partido, que concilia e põe panos quando tudo o resto está a arder - nosso senhor sabe o curto que é o meu pavio. És o gajo que encolhe os ombros e entrega, mesmo que tenha o saco cheio, e essa merda dá cabo de mim, do meu arregaçar de mangas e do partir a loiça toda.

Ontem abraçaste-te a mim Gosto muito de ti, maninha. Caiu-me tudo e a garganta seca só articulou um És o meu orgulho.

Pelo menos temos a mesma altura no BI.

30.6.11

21.6.11

Blogoesfera

 Eu na mata.


 Eu, de férias, na praia.


 Eu nas compras.


 Eu a ler o jornal. Esqueci-me do Tcheckhov na mata.

 Eu e a minha cria.


Eu e os meus sapatos novos.


Eu a disparar contra o mundo em geral.

Declaração de intenções

Agora sou eu que não quero.

20.6.11

A partir do 1:20m levito e o universo é uma vizinhança porreira


Delibes, Lakmé

De uma vez por todas

Quando convidam uma mulher para sair pela primeira vez, não digam coisas do género:
Vou ter contigo onde quiseres
Escolhe tu, a sério
Não tenho jeito nenhum, falta de treino
Sou mau a desencaminhar, bem que me podias dar uma ajuda

Decidam, senhores. D-e-c-i-d-a-m.

paintball

Tu és toda cultura...
Que é que queres dizer com isso?
Falas de livros e eu não gosto de ler. Falas de política e eu por isso não me interesso. Não ouço a mesma música que tu. E não tenho tempo para ir ao cinema.
Sim, ok, mas tens opinião.
Epá, tá bem, mas pára lá de falar de política.
Pronto, seja. Novo governo e tal, tou curiosa, só isso. Mudamos de assunto, vá.


Fiquei a saber tudo o que há pa saber sobre estratégias de
Na reunião discutia-se o sabor dos aperitivos que iam ser servidos na próxima. Nesse estágio de produtividade já estou para além de Baghdad e, normalmente, a imaginar bolas coloridas de ping-pong a saltar da boca de quem fala. 
O teu telemóvel tá a piscar. Olhei para o visor: Mãe. (Oh diacho, 11h30 e ela a ligar-me? Epá deve ter havido espiga) Já volto, desculpem.

Então, que se passa?
Olha, ligou-me a dona Maria dos Anjos com um recado da filha. Ela lembrou-se de ti. O grupo não sei quê vai abrir um novo hospital e tão a contratar pessoas para os serviços administrativos.
Mas
Manda para lá o currículo, nunca se sabe, não custa tentares e em tempo de guerra a gente tem que ir a todas.
Mas mãe, tu imaginas-me fechada a carimbar papéis o dia todo? 
Queres fazer o quê? A vida é sacrifício, andamos cá todos é pa penar, as coisas são mesmo ass
Tá bem, eu mando o currículo.
A sério?
Sim, a sério.
Achei que ias dizer que não.
Se dissesse que não íamos ficar aqui, como sempre, a discutir o sexo dos anjos e eu tenho de voltar pa dentro.
Tu achas mesmo que não te topo à légua?

16.6.11

Linguagem corporal

À entrada cumprimentámo-nos com um aperto de mão: Sou o N., como está?

À saída, presumindo que seria igual, estendi a minha. Puxou-a, puxou-me e deu-me dois beijinhos enquanto a apertava com muita força.

"Postura" têm as galinhas, por isso digamos que me sinto sempre uma perfeita anormal em termos de "saber estar" nas reuniões de trabalho.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Fernando Pessoa, "Isto"

15.6.11

Há pessoas cujo nome eu não vou dizer que vão curtir à brava este post

OK. Tamos no carro e o tipo, depois de me ter fuzilado com perguntas, vem-me com uma conversa manhosa Ah e se eu te dissesse que sou um gajo conservador e duro em algumas coisas? Tava mesmo a ver no que ia dar aquilo Mas que tipo de coisas? 40 e picos anos de  existência podem trazer muito trauma, a pessoa não sabe, né? Por exemplo, mulheres com saias muito curtas ou muito produzidas. Já viste o que é uma mãe de família tar com os filhos e ter quase o rabo à mostra? Epá isto não pode ser assim tão mau como ele o pinta, bora lá ser diplomática. Eu percebo o que queres dizer, acho que tem de haver alguma dignidade, mas uma mulher não deixa de ser mulher porque é mãe. Preferes o quê? Saias de fazenda, óculos fundo de garrafa e buço? Correu bem, hein? Tu  tens ar de quem é muito assediada pelos homens. Oi? Mas e quê, tá escrito na testa? Sorriso 33 e silêncio. Mesmo que fosse não tens nada a ver com isso, oh caramelo. Há pouco não gostei quando falaste em amizades coloridas e relações de cama. Isto é muito pior do que eu pensava. Mas era suposto gostares ou aprovares? Já que falamos em cama, quer-me parecer que nisso és uma pessoa de mentalidade um bocado fechada. Blablabla blablabla e cai a bomba Não faço sexo oral, por exemplo. Não gosto. Tive uma má experiência. E se achas que me convences a mudar, desenganas-te. Olha-me este. E eu porventura tenho pinta de quem é adepta de tunning das relações? Muda aqui, pinta ali, faz assim. Paciência, pá. Não tenho que te mudar em rigorosamente nada. Acho é que isso é coisa de gente egoísta. Cigarro dele. E tavas disposta a abdicar disso para ficar comigo? Ahahahahahahahahahahahahah. Pera. Deixa-me pensar 3 segundos. Não. Tamos a negociar isto, é? Eu dou não sei quê, tu dás não sei que mais? Eu mereço, a sério. Não, não tamos a negociar. Eu sei o que quero, sou assim determinado desde os 20 anos. Como é agora? Oh meu caro Agora vais à tua vida e eu vou à minha. Contra-ataque. Tens a certeza?

Dá pa acreditar que um dia antes disto, tinha acabado de chegar de um retiro de silêncio? Foi mesmo proveitoso, carai.

Isto é uma forma de dizer

 Kill Bill OST | Don't Let Me Be Misunderstood

que quero que o mundo em geral se fornique.

12.5.11

Dúvidas existenciais


Querida Maria,

tenho alguma dificuldade em perceber o sexo oposto. Nao sou propriamente uma pessoa tímida, vou à luta, demonstro abertamente o que sinto por X ou por Y, tenho uma vida social preenchida, conheço muita gente, até levo algumas dessas pessoas para casa, mas não acontece nada. Simplesmente não vou mais além.

O que fazer?

P.S: Tenho uma vagina.

11.5.11

Espero que notem um padrão na minha conversa #1


Estratégia: organizar a coisa por etapas e dar a perceber que isto não é rocket science.