29.9.11

Já falei aqui da minha educação musical. Andava o mundo inteiro a ouvir não sei bem o quê e nas minhas cassettes BASF 90 minutos rodavam o Brasil e a França. 
Agora que o puto da capa dos Nirvana tem 20 anos, que os REM acabaram e que os Pearl Jam têm um documentário, posso continuar a sentir-me uma perfeita atrasada mental por não perceber, nem partilhar da excitação e humidade  do resto do mundo.                      

Hey, dormi hora e meia esta noite. Deixem-me acreditar que sou de uma raça superior.

Alguém me disse que eu tinha de pensar na minha mãe e agarrar este

Podias vir almoçar comigo aqui.

Vou pois, deixa-me só apanhar o alfa e daqui a bocado tou aí.

Nah, eu mando o helicóptero apanhar-te.

Ok, então fazemos assim: já liguei ao Granadeiro e ele deixa-me ir pa pista ali em Picoas. Diz ao piloto que eu sou a gaja de fato macaco laranja, com os sinalizadores de aterragem nas mãos.

Tava a falar sério.

Eu também.

Não percebeste, o meu pai tem mesmo um helicóptero e posso pedir para te irem buscar.

Errr...

José Pedro Cortes, "Things here and things still to come"

Note to self

Não me faças muitas perguntas, mas hoje preciso de ficar em algum lado e não quero pedir a mais ninguém. Dá pa ir pa tua casa?

Claro, ficas o tempo que precisares.

Não perguntei mais nada e no final do dia fui ter com ela. Já ia na segunda caipirinha e o maço de tabaco tava perto do fim. Como sempre, disfarçou a coisa com aquela aceleração dela e eu a ouvir tudo, preocupada. Meti-a no carro, lá me arrastou para o super e atalhou para o corredor dos vinhos. Queres levar Monte Velho? Pôs duas garrafas no cesto e continuou a olhar para as prateleiras. Sacou mais uma de tinto EA e seguiu, frenética. Pão, queijo, gelado, iogurtes. Insistiu em pagar tudo.
Fiz o jantar e obriguei-a a comer. A conversa acabou por sair: as merdas do trabalho, a ida para os Estados Unidos cancelada, o casamento marcado e a pessoa que ela julgava ver no namorado e que, afinal, se revelava outra. O medo do que aí vinha.

A história não é nova e há-de repetir-se. Já a vivi, vejo-a nos que me são próximos e traz-me a confirmação de sempre (e deus sabe como preciso dela!): não há pessoas ideais, não há relações perfeitas e a porta bonita de uma casa é só isso mesmo, uma fachada.

28.9.11

Não percebo nada de negócios

Entidade patronal - Tens que ligar a fulana e dar-lhe graxa para lhe mostrar que, agora com este novo trabalho, o fee que nos pagam vale a pena.

Moi même -Tu sabes que sou má nessas coisas.

EP - Sim, mas tens que ligar-lhe e dar-lhe conversa.

Mm - Mas o fee não é para isso mesmo: para pagar o nosso trabalho? Ou seja, estamos a cumprir com a nossa parte e eles também. A graxa aqui entra porque...

EP - (Suspiro)

No need to say more


26.9.11

Não sei e não quero saber tão cedo

endoscopia matinal + anestesia bebível que deixa as pessoas semi inconscientes + mãe sexagenária dada ao bláblá fácil = filha p'ra lá de envergonhada a fingir que não a conhece de parte nenhuma.

E ainda me sai de lá toda torta, a dizer que esta coisa de nos enfiarem um tubo, sabes?, é libertadora.

23.9.11

Andreya, quero enrolar-me contigo e fazer bebés


 Andreya Triana | A Town Called Obsolete

Não é que estivesse com saudades

mas isto é um bocado como o bicho do caruncho: remói e remói por dentro, até que há uma perna da estrutura (no meu caso foram os bracinhos) que acaba por ceder.

1.7.11

Sangue

O que é que nos faz tão diferentes? Não é o seres morenaço e de olhos castanhos e eu a eterna russa de mau pêlo com pinta de estranja. Ainda ontem em Alfama me convidaram to eat typical Portuguese food. Obrigada, mas vou ali comer umas pataniscas. E pisquei-te o olho.

Em puto, se pudesses, comias musse de chocolate e batatas fritas a toda a hora. Adoravas pendurar-te no tractor com o avô e o único brinquedo que nunca espatifaste, para ver como era por dentro, foi aquela espada de madeira do Zorro
Quando o pai morreu, criou-se um pacto de protecção à tua volta. Como se não pudesses saber do que tinha acontecido - foi isso que nos separou. Porque eu sabia. E não só sabia, como passei a tratar da dor dos outros para que a esquecessem.

Crescemos.

A minha ida para fora nunca a percebeste bem. Não havia um sítio ainda mais longe que Timor? Bolas. Do regresso nem falo, a factura paguei-a cara e fiquei sempre naquela de ser a ingrata, a desbocada, a impulsiva, a única irmã do planeta que vai a Amesterdão e me traz prendas duma sex shop. Tu, o ponderado e sábio mano mais velho, mesmo tendo nascido cinco anos depois de mim.

Há uns tempos tivemos uma discussão monstra, lembras-te? Fiquei de estômago virado por te ter chamado cobarde. És sempre o gajo que não toma partido, que concilia e põe panos quando tudo o resto está a arder - nosso senhor sabe o curto que é o meu pavio. És o gajo que encolhe os ombros e entrega, mesmo que tenha o saco cheio, e essa merda dá cabo de mim, do meu arregaçar de mangas e do partir a loiça toda.

Ontem abraçaste-te a mim Gosto muito de ti, maninha. Caiu-me tudo e a garganta seca só articulou um És o meu orgulho.

Pelo menos temos a mesma altura no BI.

30.6.11

21.6.11

Blogoesfera

 Eu na mata.


 Eu, de férias, na praia.


 Eu nas compras.


 Eu a ler o jornal. Esqueci-me do Tcheckhov na mata.

 Eu e a minha cria.


Eu e os meus sapatos novos.


Eu a disparar contra o mundo em geral.

Declaração de intenções

Agora sou eu que não quero.