18.10.11

De rajada

Tou farta. Farta da liderança inexistente que atravessa empresas, Governo e afins. Farta de não me indentificar nem com movimentos rococós, nem com manifestantes profissionais que empunham diablos e fazem malabarismos enquanto gritam palavras de ordem tipo tamos aqui para nos sentarmos na escada da Assembleia e ouvir toda a gente, ya. Eu trabalho e os meus pais não têm dinheiro para eu poder largar tudo e ir por esta vida fora fazer viagens com cães sarnentos e fumar brocas.
Farta de olhar para a direita e ver uns quantos profetas que, espantados com o mundo e acusando a tão típica falta de memória, sacodem a água do capote e chutam as culpas para os suspeitos do costume , para não falar da outra cambada de meninos que nos foi vendida como "vinda da classe trabalhadora", o Álvaro, o Vítor, e que são, afinal, teóricos monocórdicos enfiados num fatinho 3 tamanhos acima na tv, explicando ao povão que vêm aí tempos difíceis. A sério? Foda-se. Nem quero falar do outro espécimen que habita na Linha, cheio de filhos, membro honorário da missa aos domingos nem que venham de lá hordas de búfalos em fúria e que se torce de nojo misericórdia pelos pretinhos de África, coitadinhos, abençoados os pobres de espírito.
Tou farta da malta esquerdalha que parou no tempo e vive com os olhos postos na Coreia, da outra malta pseudo-esquerda que defende os pobres e oprimidos e se infiltra em tudo o que é questão para fazer valer as bandeiras do partido e o "estamos aqui". A esquerda não existe, meus caros, e o único gajo que ainda faz alguma oposição é o tipo da CGTP.
Tou farta dos ignorantes que não sabem que o que ganhamos é parcelado em 14 vezes e não em 12, e que o Estado-Pai não nos dá nada através dos subsídios, mas corta, sim, com estas medidas, as remunerações. Informem-se, porra.
Tou farta de ler jornais, de ver tv, abutres especializados num saco que tudo abarca: política, economia, Médio-Oriente, livros para crianças, futebol, criação de pássaros. Tou farta de receber, por mail, artigos de jornal de mil nove e trocó passo fazendo o apanágio salazarento do regresso da cadeira, do punho firme, do pão honesto e honrado, do pé descalço mas com orgulho.
Tou farta dos activistas de sofá.
Tou farta de escrever textinhos de merda e de ter esta mesma conversa com uma data de gente. Porque olho e não vejo alternativas, propostas construtivas. Trabalho e sempre trabalhei. Nas férias da escola, nos tempos de faculdade, não tinha eu outro remédio a não ser amochar e bulir na fazenda, na vindima, na puta que pariu da apanha da pêra, no que viesse. Não me cairam os parentes na lama e é por isso que sei o  valor das coisas, que acredito na minha força, na criatividade, vontade de vencer, garra, determinação, perseverança. Não me junto ao coro do medo, da saída mais fácil, do "se vão perdoar metade da dívida à Grécia, então tamos safos". Mas digo, honestamente, que nunca como hoje pensei em virar as costas a esta merda toda e sair daqui de vez.

12.10.11

De volta à escola primária

Prós:
não é lindo de morrer, mas tem aquele something que me deixa curiosa
olhos verdes
sorriso bonito
tímido
educado

Contras:
trabalha duas salas ao lado da minha e comer a carne onde se ganha o pão é coisa que não aprecio
sou uma naba e, em vez de fazer qualquer coisa, armo-me em desinteressada

Querida Maria, o que devo fazer?

11.10.11

A vida é boa

Cabo da Roca,  08.Out.2011

7.10.11

É o problema do Verão em Outubro:

devia andar quietinha com o cair da folha, mas este calor baralhou-me as hormonas e é o reboliço total até mais tarde.
As minhas desculpas a todos os vizinhos que o fazem (ainda que sem asneiras ou cenas kinky) dentro das horas aprovadas plo condomínio, mas eu nessas aproveito a tarifa bi-horária pa pôr a roupa a lavar.

Olá, bom dia, sou a tua libido

Ao dono do belo rabo e belas pernas e belas costas e belos ombros - por esta ordem de análise - que estava à minha frente no MB: desculpa a minha cara de parva quando me sorriste. Estive a modos que morta durante uns anitos e ainda não controlo bem os espasmos faciais quando vejo um homem que me dá vontades e ganas.

4.10.11

A última semana em números

Média de 2h dormidas por noite = 14h de sono em vez das supostas 56. Ok, durmo no comboio e no autocarro, mas não conta.

10h de trabalho diário que o meu muy amado horário flexível me tem proporcionado dão 70 em oferenda ao patronato, às quais junto incenso e flores orientais, oh gratidão suprema - om shanti shanti om - por serem o pão pa boca da menina nestes tempos de crise que vivemos e, em não querendo, é ir embora que há mais quem queira.

4 refeições decentes. Tudo o resto tem sido na base da preguiça: iogurtes, fruta, muesli, torradas. Não consigo perceber se tenho fome, mas aprendi a gostar da vaca que ri - a do queijo mesmo e não a do Cavaco.

2 as vezes que liguei ao meu irmão e fui despachada. Vá, não gastes mais é o argumento que mais abomino ouvir ao telefone.

2 os amigos com problemas conjugais e que me comunicaram que iam passar uns dias lá em casa. Tudo bem, mi casa es tu casa, a sala tem vista para o mar e o chão é confortável. 1 resolveu as coisas e vai casar. O segundo também resolveu as coisas e anda enrolado com outra tipa.

1 ataque de pânico, versão hardcore.

758 as sms trocadas com a malta, gentes do trabalho, mamãe e um tipo que jura a pés juntos estar preocupado com o meu bem-estar. Sei.

3 idas à dentista.

3.10.11

o mundo é tão grande e eu aqui.

A ver um documentário sobre a vida selvagem no rio Mekong, percebi finalmente este fim-de-semana por que razão este tipo de programas me complica cos nervos:

29.9.11

Já falei aqui da minha educação musical. Andava o mundo inteiro a ouvir não sei bem o quê e nas minhas cassettes BASF 90 minutos rodavam o Brasil e a França. 
Agora que o puto da capa dos Nirvana tem 20 anos, que os REM acabaram e que os Pearl Jam têm um documentário, posso continuar a sentir-me uma perfeita atrasada mental por não perceber, nem partilhar da excitação e humidade  do resto do mundo.                      

Hey, dormi hora e meia esta noite. Deixem-me acreditar que sou de uma raça superior.

Alguém me disse que eu tinha de pensar na minha mãe e agarrar este

Podias vir almoçar comigo aqui.

Vou pois, deixa-me só apanhar o alfa e daqui a bocado tou aí.

Nah, eu mando o helicóptero apanhar-te.

Ok, então fazemos assim: já liguei ao Granadeiro e ele deixa-me ir pa pista ali em Picoas. Diz ao piloto que eu sou a gaja de fato macaco laranja, com os sinalizadores de aterragem nas mãos.

Tava a falar sério.

Eu também.

Não percebeste, o meu pai tem mesmo um helicóptero e posso pedir para te irem buscar.

Errr...

José Pedro Cortes, "Things here and things still to come"

Note to self

Não me faças muitas perguntas, mas hoje preciso de ficar em algum lado e não quero pedir a mais ninguém. Dá pa ir pa tua casa?

Claro, ficas o tempo que precisares.

Não perguntei mais nada e no final do dia fui ter com ela. Já ia na segunda caipirinha e o maço de tabaco tava perto do fim. Como sempre, disfarçou a coisa com aquela aceleração dela e eu a ouvir tudo, preocupada. Meti-a no carro, lá me arrastou para o super e atalhou para o corredor dos vinhos. Queres levar Monte Velho? Pôs duas garrafas no cesto e continuou a olhar para as prateleiras. Sacou mais uma de tinto EA e seguiu, frenética. Pão, queijo, gelado, iogurtes. Insistiu em pagar tudo.
Fiz o jantar e obriguei-a a comer. A conversa acabou por sair: as merdas do trabalho, a ida para os Estados Unidos cancelada, o casamento marcado e a pessoa que ela julgava ver no namorado e que, afinal, se revelava outra. O medo do que aí vinha.

A história não é nova e há-de repetir-se. Já a vivi, vejo-a nos que me são próximos e traz-me a confirmação de sempre (e deus sabe como preciso dela!): não há pessoas ideais, não há relações perfeitas e a porta bonita de uma casa é só isso mesmo, uma fachada.

28.9.11

Não percebo nada de negócios

Entidade patronal - Tens que ligar a fulana e dar-lhe graxa para lhe mostrar que, agora com este novo trabalho, o fee que nos pagam vale a pena.

Moi même -Tu sabes que sou má nessas coisas.

EP - Sim, mas tens que ligar-lhe e dar-lhe conversa.

Mm - Mas o fee não é para isso mesmo: para pagar o nosso trabalho? Ou seja, estamos a cumprir com a nossa parte e eles também. A graxa aqui entra porque...

EP - (Suspiro)

No need to say more