Porra, uma semana inteira de loiça pa lavar, como é que é possível? Como é que eu prometo sempre que não deixo as coisas chegarem a este ponto e depois chegam mesmo? Agora é rezar po esquentador não tar avariado. Não tá, fixe. A esponja? Epá não me façam andar à procura da esponja. Não tinha comprado uma nova há uns tempos? Pensa, mulher, pensa. Se vires bem, tu és a gaja que mais contribui para corrigir aquela coisa do Fairy durar 8 semanas. Com tanto prato e tigela e colheres - e se estas colheres do Ikea são um valente cocó, feias, pesadonas, parecem feitas pa putos obesos ou assim - vai-se logo metade do detergente. Tenho de mudar de trabalho, a sério. Olha-me só este consolo de tar aqui a fazer uma coisa mecânica e que não envolve qualquer tipo de esforço mental. Lavar a loiça, lavar a loiça. Podia ir pa Nova Iorque lavar pratos e ter tempo para o que gosto mesmo de fazer, hum? Mais cliché que isto não há, mas era agradável. Lavar pratos, pintar paredes, aspirar, encerar o chão montada numa maquineta, trabalhar com um limpa-neves!!!! Epá, espectacular... qualquer coisa que só envolva braços e pernas. Dá-me gozo, não aturo gente pseudo, um sossego. Dar aulas já era, continuar a fazer comunicação e produção fazem-me cabelos brancos, por isso era por aí, hum? A merda é eu ter esta visão romântica das coisas, ingénua. Tanta mulherada aí já com filhos e tal, e eu nesta vida de trabalho, copos, saídas, gajos, mais trabalho, deitar às quinhentas. Um filho. Epá um filho ia mudar a minha visão das coisas, de certezinha. Devia ter um filho. Dasse, queimei-me, com esta água quase se podiam depenar patos!! É. Um filho e parar de acumular loiça, devia comprometer-me com estes objectivos. Olha, a esponja velha, cá está. A ver se ponho ali na lista de compras: luvas de borracha. Da Vileda. Estas tão todas rotas. Filho, menos loiça, luvas da vileda. Check.