21.11.11


- O meu telemóvel tá mesmo a ir pr'o galheiro. Atão, méquetás?
- Tou arreliada e fodida da vida. Uma das minhas chefes deu-me uma piçada em frente a uma colega. Não se faz pá, chamava-me à parte, fartinha disto. 
- Mas, filhota, tu já sabes que blablablablablabla
- Hmpf. 
- Tás aí?
- Tou.
- Não dizes nada?
- Não m'apetece.
- Oh rapariga, se não queres falar ao menos respira pa eu saber que tás viva e que não tou aqui sozinha a falar pr'o satélite.

Tirei a Uma Thurman, em fato de treino amarelo, do desktop e substituí por pintura. Estou uma mulherzinha.


16.11.11

Factos a ter em conta:
- aqui, tou em minha casa
- não tens os tintins no sítio
- das últimas trezentas vezes que combinei um café para conversar contigo, cortaste-te sempre em cima da hora usando as desculpas mais esfarrapadas
- Lisboa é uma puta de uma cidade pequena e contam-me que ou te casaste ou estás a viver com outra pessoa que merece o meu maior respeito. E o teu também
- tens-me no reader e vens ler esta merda

Raciocínio:
ora se não temos qualquer tipo de ligação, se a tua coragem há muito ganhou ferrugem, mas não sais de cima (porque a outra parte do foder já nem sequer faz parte da premissa)

Conclusão:
fico-te eternamente grata por ires, neste preciso momento, à tua vida. E evita passar por perto. O meu carro tá velho, tu sabes, só que há outros combustíveis bem mais poderosos que me movem.

14.11.11

Claude Monet, The Pond at Montgeron, 1876-1877

Fim-de-semana em Madrid, anyone?
Dizem-me que é normal isto de me emocionar e chorar com algumas coisas que a minha gente faz e diz. Tem acontecido com frequência, no carro ou em casa, quando já não dá para conter mais. Não é uma coisa sofrida e coitadinha, é gratidão mesmo.
Para mim, que me fiz sozinha - porque quis, porque achei que isso era A verdadeira independência - é pura novidade perceber que sei melhor o que é isto da vida quando estou com os outros. E os ouço.

Parece tão lógico, não é? Avizinham-se mais 33 anos para que outras fichas básicas caiam.

7.11.11

Adoro-a, mas alguém tem que a parar

Estamos todos à roda da mesa a fazer o almoço. Começa ela Olha lá, mas eu nunca te vi de calças justas e agora andas com elas? Que é que te deu? Rosnei um Apeteceu-me, porquê? Um bocado depois, pega na minha camisola e aí vamos nós outra vez Olha que no meu tempo, quem misturava preto mais verde e azul tinha muito mau gosto.
Hum, hum, tá bem mãe. E dou plo meu irmão de olhos arregalados em sinal de "Epá, ignora e não respondas".
Como calhei na rifa, a seguir segue-se o meu colar que Se eu usasse uma coisa com bolas dessas, ficava a parecer uma árvore de natal
Quando a coisa começa a resvalar para os ténis, não dou mais tempo de antena Queres fazer mais algum comentário sobre a minha roupa? O casaco, o lenço, não? Pera. Desaperto o cinto. Mano, vira os olhos pa parede. E desço as calças até aos joelhos. As minhas cuecas são rosa, vês? Rendadas, hum? E o soutien condiz. Aprovas?

Comemos costeletas grelhadas na brasa, arroz e salada, no melhor dos silêncios.

Ballet Zapata

Fui ver as fotos da Frida (enrolou-se com o Trotsky, a grande doida) e quero aqui deixar o meu muito obrigada aos cerca de quinhentos portugueses que me pisaram, passaram à frente e lamberam as fotos com os dedos e com o nariz. Boa gente, pa ver uma exposição não é preciso tar em cima das peças. Nem das outras pessoas.

31.10.11

Porra, uma semana inteira de loiça pa lavar, como é que é possível? Como é que eu prometo sempre que não deixo as coisas chegarem a este ponto e depois chegam mesmo? Agora é rezar po esquentador não tar avariado. Não tá, fixe. A esponja? Epá não me façam andar à procura da esponja. Não tinha comprado uma nova há uns tempos? Pensa, mulher, pensa. Se vires bem, tu és a gaja que mais contribui para corrigir aquela coisa do Fairy durar 8 semanas. Com tanto prato e tigela e colheres - e se estas colheres do Ikea são um valente cocó, feias, pesadonas, parecem feitas pa putos obesos ou assim - vai-se logo metade do detergente. Tenho de mudar de trabalho, a sério. Olha-me só este consolo de tar aqui a fazer uma coisa mecânica e que não envolve qualquer tipo de esforço mental. Lavar a loiça, lavar a loiça. Podia ir pa Nova Iorque lavar pratos e ter tempo para o que gosto mesmo de fazer, hum? Mais cliché que isto não há, mas era agradável. Lavar pratos, pintar paredes, aspirar, encerar o chão montada numa maquineta, trabalhar com um limpa-neves!!!! Epá, espectacular... qualquer coisa que só envolva braços e pernas. Dá-me gozo, não aturo gente pseudo, um sossego. Dar aulas já era, continuar a fazer comunicação e produção fazem-me cabelos brancos, por isso era por aí, hum? A merda é eu ter esta visão romântica das coisas, ingénua. Tanta mulherada aí já com filhos e tal, e eu nesta vida de trabalho, copos, saídas, gajos, mais trabalho, deitar às quinhentas. Um filho. Epá um filho ia mudar a minha visão das coisas, de certezinha. Devia ter um filho. Dasse, queimei-me, com esta água quase se podiam depenar patos!! É. Um filho e parar de acumular loiça, devia comprometer-me com estes objectivos. Olha, a esponja velha, cá está. A ver se ponho ali na lista de compras: luvas de borracha. Da Vileda. Estas tão todas rotas. Filho, menos loiça, luvas da vileda. Check.

27.10.11


Teimosa, sonsa, meiga, mimalha e inteligente. Vais fazer-me muita falta e nem quero acreditar que hoje à noite já não vais estar lá por casa.
Só mesmo tu para me fazeres chorar como uma Madalena, raios.

25.10.11

de que me valerei, se alma não val?

24.10.11

Imagino-a a fazer cábulas daqui a uns tempos

Curto mesmo esta coisa de trocar sms com a matriarca, enquanto ela está na Universidade: Ligo + tarde, não quero q o prof de psicolog. do idoso me apanhe a olhar para o telem.

No fundo, é isto, ó Júlio

É como ter de escolher entre o limpinho:


e o desgrenhado:


Obviamente prefiro o segundo.