27.4.12

Uma pessoa trabalha a semana toda e é isto

Olha lá, há alguma coisa cá em casa que se beba?
Tens ali sumo e leite, rapariga.
Opá...
As cervejas já se foram. Há ali é um restinho de jeropiga escondida.
Onde?
Na despensa, no fundo.
Queres um bocadinho?
Põe aqui. Tá bom, tá bom, chega.
Tem bom aspecto. Hum e cheira bemmmm.
Vá, guarda isso.
Mas oh mãe, ia pôr agora pra mim.
O que tá aqui neste copo chega bem pas duas.
Fogo, que mitra.

26.4.12

Preciso de voltar às aulas de boxe avec vitesse

E um dia destes:

Mocito das obras, cabedal a rondar 1m85 e vastos quilos, com traseiro alombado no capot da viatura desta que vos escreve. 
Aproximo-me, acciono o fecho automático e sorrio Quer um banquinho? Mocito pula Tava aqui a limpá-lo, bem precisa. Mas olhe que não pode estacionar aqui, vai ser multada. Grande cab*@o, espera aí Ah sim? Aprendeu isso nas aulas de código ou descobriu ali o sinal enquanto tava a palitar os dentes, sentado em cima do MEU carro?

Gasóleo + isqueiro = não funciona, dizem-me. Querosene é um bocado coninhas. E napalm?


Bill Kilgore: Smell that? You smell that? 
Lance: What? 
Bill Kilgore: Napalm, son. Nothing else in the world smells like that… I love the smell of napalm in the morning. You know, one time we had a hill bombed, for 12 hours. When it was all over, I walked up. We didn’t find one of ‘em, not one stinkin’ body. The smell, you know that gasoline smell, the whole hill. Smelled like… victory.

Isto sou eu a baixar os padrões

Neste momento, aquilo que a raça masculina pode fazer para me impressionar é:
- tomar banho
- pôr desodorizante
- vestir roupa lavadinha
- parar de me chamar querida
- (ia acrescentar não escrever bjokas nas sms, mas isso já é ser muito exigente)

24.4.12

É difícil e não se aplica aquela máxima do "É como andar de bicicleta"

Voltar a fazer um post decente.
E
Ir pra cama com alguém depois de muito tempo dedicado ao onanismo.

O meu irmão mandou-mo por mail porque achou apropriado. Não tou a ver porquê

"I wouldn't have to manage my anger, if people could learn to manage their fuckin stupidity"

Um paninho embebido em gasóleo e um isqueiro. Ou então um rolo compressor. Resolvia-se logo

Os gatos comem o que é deles e a seguir saltam para o prato das cadelas. A matriarca faz piscinas para repor a justiça doméstica, de dedo em riste e aos berros Isso não é teu, sai daí. Queres apanhar? Vou-te bater. Das 7h da matina às tantas da noite: é isto.

2 anos de terapia plo cano abaixo. Onde é que tenho o número da psi mesmo?

Genética, take 3927

Pegas neles assim, arruma-los direitinhos, com a dobra do saco virada pra baixo e depois vês se a tampa da arca ficou bem fechada (que é quando ouves aquele barulho, sabes?)

Ter a matriarca a explicar-me como se congelam bifes de vaca foi uma revelação: agora sei o porquê deste meu ar de superioridade professoral para com os outros.

19.3.12

E da próxima manda polícias giros, sempre me entretenho

Segunda, oito da matina. Malas feitas para me mudar, provisioriamente, para casa da matriarca. A coisa não está nada fácil, mas a vida é sempre em frente e eu não me deixo derrubar assim. Depósito cheio, algumas horas de sono no bucho, produção de evento mesmo importante. 

Carro da frente pára. Eu paro. E nisto fico ensanduichada entre esse e os outros dois que vinham atrás.

A sério, deus, um bocadinho menos para este lado, pode ser?

16.3.12

Não te dou ouvidos porque o teu lugar é atrás do fogão, na cozinha.

Foi o medo de ficar sozinha, as terras de que tem de cuidar, o ter 60 anos e uma vida pesada nas costas, o querer ir empurrando a situação com a barriga a ver se a coisa se resolvia, as retaliações possíveis, a pena, a caridade bacoca, o sentimento de culpa. E isso trouxe-nos aqui. 

Devias era ir trabalhar para a rua, lá é que rendias bem.

Trouxe-me aqui. Se tenho dormido entre 2 a 3 horas por noite, é muito. Sento-me na cama, agarrada ao telefone e à chave do carro. Vigio o sono dela e do meu irmão. Põe uma cadeira atrás da porta. Não só não o faço, como deixo a luz acesa, imaginando-a um farol lá ao longe, como aquele que vejo da minha casa. A-minha-casa. Onde estou segura. O meu muro de silêncio branco e azul.

Se tiver de abandonar este bocadinho de terra, fica-me aqui o coração.

Pois ele que venha. Ameaçou, mentiu, inchou o peito, coagiu, controlou, chantageou. E, no entanto, continua a duas portas da minha. Morro de medo, mas ele que venha.

Se ele vos bater, devem ir imediatamente ao hospital para serem examinados e fazer recolha de provas.

Sento-me e choro, escondo a cara com vergonha. Isto é século XXI, somos pessoas esclarecidas, como é possível que esteja a acontecer? Mas é. Mas está.

Não acontece só aos outros.

Estou tão, tão cansada.

13.3.12

Coragem

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

12.3.12

Executivos do Saldanha

Grau de aprumo do fato.
Probabilidade da gravata condizer com o lenço do casaco.
Nível de brilho nos sapatos.
Número de alarvidades ditas ao telefone.

Estão todos relacionados: quanto mais elevados os três primeiros, maior o último.

(Todo um manancial, já disse. Tenho que deixar de andar de autocarro.)

Já em 96 era assim

As miúdas da Clássica continuam giras. As da Nova insistem no ar sou de esquerda, leio Roland Barthes na sanita, a depilação é uma coisa fútil e as minhas mamas não são objectificáveis.

(Linha amarela ao almoço, meus caros. É todo um manancial.)


8.3.12

Tenho dito

A amiga A liga porque tem problemas com os pais. A  amiga B liga porque os tem com o namorado. O amigo C liga porque os tem no trabalho. E o D porque foi despedido. A matriarca chora-me desamores ao telefone e o meu irmão anda lá na vida dele. Andam todos, ao que parece.  
Escuto-os com vontade e ajudo porque gosto deles. E porque sou assim. Mas toda esta disponibilidade está a dar cabo de mim, sobretudo porque sou esta pessoa que, mesmo com o feitiozinho que a gente sabe, acha sempre que se pode bem safar sozinha e sem maçá-los quando tem as suas merdas existenciais.

Pois bem, avisos vários à navegação: 
Não sou o vosso caixote do lixo emocional,
Há pessoas que vão passar a estar nas categorias certas para que se acabem expectativas e desapontamentos,
Pôr o orgulho estúpido de lado é tarefa árdua, mas já estou de mangas arregaçadas.